A produção científica é um dos resultados mais importantes do trabalho colaborativo da REIIPEFE. Nesta seção, destacamos algumas das produções mais recentes publicados pelos membros de nossa rede. Para uma lista completa, recomendamos visitar os perfis dos pesquisadores no ResearchGate.
Resumo
Este livro é resultado de estudos, debates e reflexões desenvolvidos por professoras, professores e pesquisadores vinculados à Rede Internacional de Investigação Pedagógica em Educação Física Escolar (REIIPEFE). A rede começou a se constituir em 2005, a partir do diálogo entre colegas brasileiros – Fernando Jaime González e Paulo Fensterseifer, da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ), e Valter Bracht, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Naquele momento, já se evidenciava a necessidade urgente de transformação das práticas pedagógicas tradicionalmente observadas nas aulas de Educação Física escolar no Brasil.
Desde então, a rede cresceu e passou a reunir pesquisadores e instituições de diversos países da América do Sul. A preocupação inicial do grupo centrou-se nas limitações que a Educação Física escolar enfrentava para se inscrever em projetos pedagógicos com potencial emancipador e comprometidos com a democratização do ensino.
A identidade do coletivo foi consolidada em 2010, quando passou a adotar oficialmente o nome REIIPEFE. O projeto assumiu como objetivo central investigar como a cultura escolar de cada instituição de origem influencia tanto o desenvolvimento de experiências pedagógicas exitosas quanto os processos de abandono e desinvestimento vivenciados por docentes de Educação Física, especialmente em escolas públicas de contextos geográficos e político-sociais diversos.
Atualmente, a REIIPEFE conta com equipes de pesquisa em cinco países e envolve 18 instituições. Entre suas ações mais relevantes estão os seminários internacionais e encontros regionais, nos quais são socializadas investigações em andamento, analisados os métodos empregados e debatidos os dados e resultados. Esses espaços têm se mostrado fundamentais para fomentar o intercâmbio de ideias, a colaboração entre instituições e a construção de novos projetos de pesquisa comprometidos com as singularidades e desafios da Educação Física escolar em diferentes realidades sul-americanas.
Ano: 2024
Resumo
O livro Formação Docente, Currículo e Cotidiano Escolar: Dados de Educação Física na América do Sul é fruto de um longo percurso de colaboração acadêmica desenvolvido no âmbito da REIIPEFE – Rede Internacional de Investigação Pedagógica em Educação Física Escolar. A publicação reúne investigações e reflexões discutidas no IX Seminário Internacional da Rede, realizado em 2018 na Universidade Federal do Espírito Santo (Brasil), envolvendo pesquisadores de universidades e institutos da Argentina, Brasil e Uruguai.
Organizado em duas grandes unidades temáticas e um texto de encerramento, o livro aprofunda debates cruciais para a Educação Física escolar em contextos sul-americanos, articulando teoria crítica, práticas pedagógicas e implicações políticas. A primeira unidade discute a formação docente sob a perspectiva da democracia e das tensões macropolíticas que atravessam os países do continente. A segunda unidade aborda experiências pedagógicas concretas no cotidiano das escolas, com destaque para iniciativas que enfrentam o abandono e a desvalorização curricular da Educação Física, buscando alternativas transformadoras enraizadas em suas realidades locais.
Além de apresentar experiências diversas, a obra reafirma o compromisso da REIIPEFE com a construção de práticas de pesquisa em rede, voltadas à democratização do conhecimento, à valorização da diversidade e ao enfrentamento das desigualdades educacionais. O texto de encerramento, assinado por Edison de Jesus Manoel, oferece uma leitura crítica do processo vivido no seminário, convocando os grupos a fortalecerem a dimensão coletiva, crítica e decolonial da Rede.
Esta publicação celebra a vitalidade e a trajetória da REIIPEFE, que desde 2005 vem articulando encontros, debates e produções coletivas. Ao compartilhar essas experiências, o livro contribui para repensar a Educação Física escolar a partir de um olhar comprometido com os direitos dos alunos e com a transformação das práticas educativas em nossa América do Sul.
Ano: 2021
isfd.isef@lapampa.edu.ar
Apresentação
O livro que aqui apresentamos é fruto de investigações e reflexões desenvolvidas por professores-pesquisadores que, para tal, articularam-se em uma rede: a REIIPEFE – Rede Internacional de Investigação Pedagógica em Educação Física Escolar.
O embrião da Rede foi uma preocupação comum a três professores — Fernando González/Unijuí, Paulo Fensterseifer/Unijuí e Valter Bracht/Ufes — que, nos intervalos de um evento acadêmico na UNOCHAPECÓ, em Chapecó/SC, perguntaram-se, não sem certo sentimento de frustração, por que se apresentava tão morosa e difícil a mudança da prática pedagógica em Educação Física nas escolas brasileiras.
Transcorria o ano de 2005, e o diagnóstico, generalizado e sujeito a correções pontuais, era o de que, passados mais de 20 anos de debates e elaborações de propostas críticas (1), a prática pedagógica em Educação Física permanecia presa a uma tradição que intencionávamos ver superada. Além disso, parecia que nem mesmo essa tradição — a Educação Física tradicional, leia-se esportiva — dominava mais a cena em nossas escolas. Vivíamos um “não mais e o ainda não” (2) e, nesse hiato, grassava e tomava espaço algo como um “abandono” ou um “desinvestimento” pedagógico, que se expressava no fenômeno recorrente da “não-aula”.
As dificuldades em responder de forma consistente e convincente às perguntas “por que chegamos a esse quadro?” e “por que a prática resiste tanto à mudança?” forneceram a motivação para um projeto de investigação, apresentado por Fernando e Paulo à UNIJUÍ, que objetivava investigar, por um lado, processos/casos de inovação pedagógica e, por outro, processos/casos de abandono pedagógico.
Agregaram-se a esse esforço, inicialmente, mais três grupos de investigação: ISEF General Pico, La Pampa, Argentina, coordenado pelo professor Rodolfo Rozengardt; UNIVALE, Itajaí/SC, coordenado pelo professor Santiago Pich; e LESEF/UFES, Vitória/ES, coordenado pelo professor Valter Bracht.
Embora inicialmente pudesse parecer um problema específico da Educação Física brasileira, suspeitava-se que, em outros contextos políticos e socioculturais, fenômenos semelhantes também pudessem ocorrer. Daí o interesse em incorporar às investigações o viés transcultural.
A dinâmica escolhida foi a de que os diferentes grupos, inicialmente quatro, desenvolvessem investigações de casos de inovação, ou renovação, e de abandono ou desinvestimento (3). A nossa hipótese de trabalho era a de que, estudando casos — ou seja, a prática de professores inovadores, por um lado, e de professores em abandono/desinvestimento pedagógico, por outro —, alcançaríamos uma melhor compreensão dos processos envolvidos na mudança ou na não mudança das práticas pedagógicas em Educação Física.
Após um ano de trabalho, elaborações teóricas e pesquisas de campo, os grupos reuniram-se na Universidade Federal do Espírito Santo – UFES, em Vitória/ES, Brasil, para apresentar e discutir resultados, debater sobre o potencial e a pertinência dos referenciais teóricos adotados, refletir sobre os encaminhamentos metodológicos e, não menos importante, renovar as forças e a motivação para seguir investigando o tema.
Para esse 1º Seminário da REIIPEFE, realizado em 2008, como depois foi nominado e conhecido entre os grupos, foi convidada a professora Griselda Amuchástegui, do IPEF – Instituto de Professorado de Educación Física, de Córdoba, Argentina, que passou, então, a compor a Rede, perfazendo cinco grupos. Esse primeiro seminário mostrou-se tão produtivo que se decidiu logo pela realização do segundo, ocorrido em 2009, na capital da Província de La Pampa, organizado pelo grupo do ISEF General Pico.
Assim, os seminários internacionais, realizados anualmente, passaram a se constituir em importante estratégia, de maneira que se seguiram outros eventos: 2010, em Córdoba, Argentina; 2011, em Santa Maria e Ijuí/RS; 2012, em Bariloche, Argentina; 2013, em Florianópolis/SC; 2014, em La Plata, Argentina; 2016, em Montevidéu, Uruguai; 2017, em La Pampa, Argentina; e 2018, novamente em Vitória/ES.
Parece-nos importante ressaltar que a REIIPEFE, oficializada durante o Seminário de Córdoba, em 2010, resultou de uma dinâmica de pesquisa que tem na cooperação entre diferentes grupos uma de suas estratégias fundamentais. Além disso, é resultado de um compromisso político em favor do engajamento pela melhoria da qualidade da Educação Física escolar em nossos países. Trata-se de uma melhoria da qualidade que tem como referência uma formação humana voltada à construção de sociedades democráticas em nosso continente.
Após várias “rodadas” de discussões em torno da temática originária e a inclusão de novos grupos (4), os focos das investigações diversificaram-se, porém mantendo como horizonte a mesma preocupação: produzir conhecimentos para a efetivação das mudanças necessárias na prática pedagógica. Vários artigos foram e vêm sendo publicados, com diferentes assinaturas pelos grupos participantes. Para tanto, consultar a página da Rede na Web: reiipefe.hol.es.
No presente livro, apresentamos à comunidade um conjunto de elaborações organizado em duas partes.
Unidade I – Culturas escolares da Educação Física no Brasil e na Argentina: abandono docente/desinvestimento e inovação pedagógica
Nessa primeira unidade, estão reunidos textos que expressam mais fortemente a primeira fase das pesquisas da Rede. Elas estiveram voltadas para a investigação dos fenômenos da inovação e do abandono/desinvestimento pedagógico. Os dois primeiros capítulos operam uma espécie de síntese das pesquisas sobre esse tema desenvolvidas pelos diferentes grupos. Seguem textos que apresentam alguns dos casos que serviram de base para aquelas sínteses.
Unidade II – Currículo, trabalho docente e formação inicial em Educação Física
Essa segunda unidade apresenta textos que resultam, não só, mas principalmente, de uma segunda fase de pesquisas da Rede, na qual se diversificaram os interesses e os focos de investigação. Uma das opções foi desenvolver pesquisas com características de intervenção — pesquisa-ação e pesquisas colaborativas —, bem como focalizar os processos de formação inicial e continuada.
Por fim, gostaríamos de deixar registrado um agradecimento à professora Norma Rodriguez, de La Plata, Argentina, e ao professor Rodolfo Rozengardt, de La Pampa, Argentina, pelo trabalho de recolha e organização dos textos aqui apresentados, o que facilitou muito a nossa tarefa de concluir o livro.
Além disso, como fizemos referência ao fato de que, dos quatro grupos iniciais, saltamos para onze grupos constitutivos da REIIPEFE, além de novas solicitações de adesão, gostaríamos de informar que o processo de incorporação à Rede segue um trâmite que vai da participação voluntária em um seminário internacional, com fins de observação do tipo de trabalho realizado, ao posterior envio de uma proposta de participação contendo um projeto de pesquisa coerente com os estudos realizados no contexto da Rede.
Vitória, janeiro de 2018.
Os Organizadores
Notas
O livro Educação Física cuida do corpo e... mente, de J. P. S. Medina, circulava desde 1983, e Metodologia do ensino de Educação Física, do Coletivo de Autores, fora publicado em 1992.
GONZÁLEZ, F. J.; FENSTERSEIFER, P. F. “Entre o ‘não mais’ e o ‘ainda não’”: pensando saídas do não lugar da Educação Física escolar I. Caderno de Formação RBCE, v. 1, p. 9-24, 2009.
Ver, a respeito dos principais conceitos da investigação, os textos de Paulo Fensterseifer e Fernando González no presente livro, capítulos 1 e 2, respectivamente. Mais especificamente sobre o conceito de desinvestimento, ver os capítulos 3 e 3.1.
Agora já são onze grupos efetivos, além de muitos outros solicitando participação: do Brasil, UNIJUÍ, UFES, UFSM, UFSC e UFMG; da Argentina, La Pampa, Córdoba, Bariloche, La Plata e La Matanza; e, do Uruguai, a UDELAR.